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Maiz cheio de matiz. E mais.

Atualizado: 2 de out. de 2021

Maiz. Raiz. Mais x? Só se for mais incógnitas no mapa, mais rapidez para afastar quem está do lado de quem solapa: o país, a vida de tantos. Aqueles que, ô tristeza, fala, só se incomodam com Silvio Santos. O x da questão é menos preocupação se é xx, xy, x fixo, que povo mixo. Só veste carapuça de gente maluca, que aponta, atira e mata e se farta. Se alarma. Se alarma. Não tem calma. Não tem alma. Céu de mel. Esgoto de fel. Cano e créu na missa ao léu. Só véu. Só véu.




Tempo, modelo do CAIXOLÁ LÁ LINHA com seu gorro Colheita no Milharal, tirou, um pouquinho, a máscara (feita pela etnia Aruã, lá do Marajó) para sentir o cheiro da deliciosa raiz de priprioca que a Thaiz, uma nova amiga, deve ter comprado lá no mercado Ver-o-peso, de Belém. A coruja chegou aqui bem antes, pelas mãos dos Guarani, para dar sorte e espalhar no ar sabedoria ancestral indígena.

Peneira o canto. Foge do santo. Manto na oca. Raiz de priprioca. Para os ricos patriotas. Compotas. Lojas. Modas. Fodas. Corda para amarrar o fardo de raiz. Tudo de plástico. Nem é mais de sisal, reclama o Tempo (o modelo do Caixolá) que se expressa pelo sisal, que se enfeita de sisal, que se livra, que se faz no enovelamento, que faz nós embaraçados, que janta baralho assado, que uuu, canta no ninho embarazado e desova no mar dos enxotados, dos assassinados, dos atingidos pelos que realmente azaram esse país.



Esses que fazem a terra, a água, os povos oprimidos gritarem para não se afogarem no mar da violência, da sordidez.



Grupo Artístico Gá Tãn (Grito da Terra) Etnia Kaingang Aldeia Indígena Marrecas  Turvo, Paraná, Brasil  Direção: Mauricio Pilati Produção Musical: Thiago Juraski Apoio Técnico: Camila Maciel  Artistas: Adair, Allan, Andry, Celine, Clau, Cleyson, Danley, David, Dhulce, Diogo, Edhyllson, Edielson, Elzelene, Ercylene, Fávio, Gisimara, Gislaine, Graciely, Indiomar, Irineu, Itamar, Juan, Jusa, Juslei, Kauana, Kauane, Lediane, Lhay, Mate, Michel, Natiely, Patricia, Sérgio, Simone, Solange, Sonia, Thiarles, Val, Vanderson, Veri e Zilene.

Grito da Água - Jocy de Oliveira: Uma história singular sobre a personagem fictício - Mathilda Segalescu, famosa cantora judia e seu piano, embarcando como refugiada na trágica viagem marítima de Struma na Romênia para a Palestina em 1941. O único sobrevivente deste navio naufragado foi seu piano encontrado anos depois por um pescador árabe na costa de Siles, na Turquia. Como uma caixa preta, o piano e seus fantasmas carregam a história. O pescador se apaixona pelo espectro da cantora ligado ao piano que aparece todas as noites para contar a ele sua fascinante história e trágica diáspora.

Catálogo de Pássaros *: 3º Livro: V. La Chouette Hulotte (Coruja-do-mato) · 
Artista ao piano: Hakon Austbo
Compositor: Olivier Messiaen


Murucututu - Domínio Público (Coleção Marcus Pereira – Acalantos Brasileiros)  O projeto Acalantos é composto por espetáculo musical para crianças entre 0 e 5 anos de idade. Liane Guariente interpreta.

O que fazer com aqueles que realmente azaram esse país e não deixam o milho colorido nascer? Que não querem que as comunidades guardem as sementes e grãos com sua tradição, carinho e emoção. Sementes que vestem, que protegem aqueles que se abraçam na dor que é igual na diferença, que dão valor à boa merenda, à real lenda. Desaquenda mito. Maníaco. Maniasco. Claustro. Um banho de grão até o chão.












Fotos tiradas (menos a do gorro Colheita no Milharal) do Observatorio de Maiz, da artista colombiana Maria Buenaventura.


Digerir, pintar de outros sabores o estômago, cobrir de grão, do caixolão ao caixão. Capacete de um milhão, farto e colorido. Para o corpo que anda doente e esquisitão, proteção.


E vê se não dá sossego pros cagão que cheiram notas de sangue da ferida capital. Que cabedal chato desse colonial que só tem vontade do mesmo para os mesmos.





Telas do curso Histórias Insubmissas da Arte no Brasil Negro com Igor Simões, no MASP. Olha aonde se assenta o conhecimento filosófico. Por que será, né, que são mais esses nomes que se perpetuam nas instituições educacionais responsáveis pela transmissão de conhecimento?  Reproduz,  essas telas, gente. Muito. Muito. Fala delas em tudo que é canto. 

Ainda bem que tem cada vez mais gente cansada desse cânone preconceituoso. Pasteurizado... Nem vou rimar com aquele iogurte na linha dos perigosos processados. Tanta gente solta. Tanta gente presa.E luz acesa. Tá tudo limpeza. Vidraça espessa. Veia e carteira esqueça. Velas, só importa que você mereça. Enfia PJ, cara. Ninguém dá pelota. E dá-lhe governo oferecer bolsa qualificação para enquadrar artista e fazer o desfavorecido receber conteúdo, no mínimo, questionável. Ementa obscura. Nem os nomes dos professores dos cursos divulgam. Só resta o que, Paulo Freire? Chorar? Derramar bicas? O que fica? Ai, Dona Chica. Xiiiii. Mais vários xis. E se o primordial não fosse só a água sair no cano? E se o normal fosse o rio correr no fluxo natural? E se o mal não fosse somente o sal? E se a cal não queimasse mais peles pretas? Borboletas. Bandoletas.

Roletas. Chega de história de incertezas. Outras letras. Menos concreto nas cercas. Olha o acabamento! Mais cimento. Mais cimento! Que abafamento! Só queria que não sobrasse só lamento. E que os pós coloridos ou brancos não fizessem a mágica de deixar tanta gente doente. Não tem problema. Não tem problema. Seremos pó mesmo para nos misturar, para contaminar mais um pouco a terra que, como boa mãe, acolhe a todos. Mas, que devia cuspir, devia. Gazes em túmulos chiques. Mares em acúmulos de diques. Fases de esdrúxulos tiques. Tic-tac. Tic-tac.

Descansa em paz. Zzzzzzzz...


A irmã da abelha Pedra-Raiz veio me visitar. Me deu saudade. Aí ouvi a cantiga de ninar composta pela chilena Marianela Ester Pérez Gómez e me lembrei da conversa que tivemos por e-mail meses atrás... Conheci Marianela bem por acaso. Ela faz parte de uma lista de e-mail para receber esse livro sobre a a invasão em terra mapuche. Resolvi enviar o meu escrito sobre a Pedra-Raiz. Ela me respondeu e semanas depois enviou sua música.


Muley ta iñ umautual. A música diz: Dorme meu filho, seu sono tranquilo. Mamãe vai cuidar de seu sono. Ela vai beijar suas mãos quentinhas e proteger você.

A partir daí começamos a conversar mais.

Reproduzo a conversa:


KAREN - Ouvi a música e pensei em usar como trilha para abelha Pedra-Raiz. Você se lembra que escrevi sobre as abelhas?

MARIANELA - Eu me lembro. Li novamente. Obrigada por compartilhar. Interessante e lindo. A sanidade da comparação e das diferenças e sua contribuição em um mundo real e tão sonhado!!


Por experiência, sei que quando algo muda a primeira versão, algo morre. Muitas vezes pensamos que damos mais valor a isso, mas não será mais o nosso trabalho.

Para o ouvido pode melhorar, depende de quem ouve.

Fiz uma música para minhas filhas e tenho duas versões. A primeira é mais simples, mas é o essencial. Eu não mudo isso.

Você não me disse se gostou...


KAREN - Sim, muito. Acho que essa música pode ser para que o abelha Pedra-Root possa ter um som eterno mais confortável do que quando ele estava aqui neste mundo ...


MARIANELA - Claro, é feita para mandar para outra dimensão, justamente para descansar!

Qual a tradução para Pedra-Raiz????


KAREN - Pedra-Raiz mesmo. Gosto do nome porque gosto das pedras, mas não gosto da mineração indiscriminada. Quanto às raízes, gosto mais das aéreas, nos pântanos ...


MARIANELA - Que boa relação!!!

Me ocorre:

... Entre a dureza de seu solo, pedras, terra, aguaceiro, ... O bater de suas asas aquece o ar e perfuma o jardim.

O pantanal cheio de vida te atrai, te aproxima, te enche de frescor,

e você voa em círculo até estacionar na certa medida.


Viva abelha, voa livre, até a flor mais linda e saborosa para o seu apetite e segue,

alegra esse palco, com seu som e parentes e poliniza naturalmente .......


KAREN - Essa é a Pedra-Raiz

MARIANELA - Magnífico estar em sintonia!!!!


KAREN - Fala mais de você... Sou uma cantora normal (já disse). Comecei a trabalhar sozinha desde a pandemia. Antes eu fazia parte de um grupo folclórico. Amo fonética e canto em mais de um idioma, mas tenho um forte apego ao Mapudungun desde que trabalhava nesses temas com o grupo Cantabrazo de Maipú. Meus colegas me deram suas vozes e instrumentos.

KAREN - São todos mapuches do grupo? MARIANELA - Na verdade, não. Nenhum deles têm sobrenome Mapuche, mas apoiamos totalmente sua causa. Nós somos mistos.

KAREN - Mas, o grupo grava na língua mapuche, às vezes ... MARIANELA - Sim. Temos um terceiro CD que não foi lançado. Eu sou a que escreveu em outro idioma. Na verdade, temos temas em Mapudungun e Rapa Nui.

Eu tenho 62 anos Meu maior orgulho são minhas três filhas. Eu sou mãe, mulher, esposa. Artesão caseiro, cantor e escritora. Sempre me preocupei com saúde e educação. Hoje, dedicado à harmonia pessoal, terapias alternativas e contenção. As raízes ancestrais me chamam, sua força e sua resiliência. Seu exemplo. Eles merecem meu tempo, interesse e estudo. Hoje estou trabalhando em uma gravação totalmente em Mapudungun. É meu canto.

KAREN - Você diz que "trabaja a pulso". O que signifca?

Bem, literalmente seria trabalhar em um tempo específico e estruturado. À mão livre. Em um pulsação. Seria, figurativamente, a partir de lugar nenhum. Com poucas ferramentas especiais, bastante criativas e a partir da raiz. Um puro ñeque, eu diria em chileno. Ñeque é mão. Pela força de suas mãos.

KAREN - Posso ouvir um pouco desse trabalho?

MARIANELA - Já gravei três de seis músicas. Mas, elas estão em processo!!! Eu poderia te enviar um áudio doméstico.


E ela enviou, como ela diz, en pañales. O sea, recién armando. Que bom se armar fosse isso no Brasil.




Feito pela Marianela. Acho que a família da Pedra-Raiz vai lá polinizar.

Pulseiras feitas pela minha sobrinha, por algume artesã colombiane que eu gostaria de conhecer e pelas indígenas que vendem na Rua XV em Curitiba.




 
 
 

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Karen Monteiro - jonalista produtora de conteúdo e tradutora do alemão e inglês
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