Pinheirinho de tomate
- Para de gritar isso seu i
- 23 de dez. de 2020
- 4 min de leitura
Atualizado: 24 de dez. de 2020

O meu pinheirinho de Natal esse ano é uma e outra araucária que vejo da sacada e um tomateiro que faz companhia pra gente há uns dois meses, desde pequeno. Deu o primeiro tomatinho meio criança, achei... Para o Natal encheu a sacada, expandiu para cada parte da casa as bolinhas coloridas bem verdes, brancas, amarelas... Ainda não vi as vermelhas. E olha que já colhemos a primeira. É... Tomate amarelado. Tá bom. Diferente, mas não mente. É tomate mesmo. Um gostinho meio apagado, aguado, ele, o primeiro. Se foi enxertado, o pé, não sei. Tenho impressão que ficou pressionado por nós para amadurecer. Mas, caramba, tinha tantos outros nascendo para dar conta que não amadureceu direito. Direito, torto. Tanto faz. Importa é ver o bichinho florescer tanto, dar tanto tomate num vaso pequeno. Talvez fique brigando por espaço com a pimenta malagueta. Acho que eles entraram num acordo... Nem chegaram a brigar. A pimenteira teve que dar uma estirada rápida para se manter. Tá cheia de flor também. A pimenta demora mais para crescer do que o tomate. A gente até acha que a flor caiu e não vem nada...

Engraçado como a gente vive de comparação. Bom botar e rimar esse pensamento no coração para não sair exigindo coisa de quem cresce (vai lá saber o que é crescer) em outros tempos. Quem sangra no vento, no apertamento, sabe-se lá o que não passa... Tem outra pimenteira na sacada, a dedo-de-moça. Também compartilha (não sei se é eufemismo) espaço. Só que com o alho-poró que chegou do verdureiro com raiz e foi para o vaso.
As mudas de pimenta foram trazidas pelo verdureiro em copinhos com um pouco terra. Uma cesta barata, fresquinha, com bons produtos, comercializados por uma ONG, iniciativa que, infelizmente, não deve se estender para 2021. Não eram orgânicos os produtos, como eu gostaria, mas foi o que o bolso pandêmico deixou comprar. Agora estou iniciando uma parceria com o pessoal da Utopia, uma rede agroecológica com produtos orgânicos mais diferentes... Parceiro que dá orgulho de ter. Iniciativa que dá vontade de fortalecer.

Mas, deixa eu falar porque resolvi fazer esse escrito. Eu já queria escrever sobre as plantas da sacada e da concentração de flores do tomateiro... Os vasos vieram porque meu irmão percebeu que eu queria muito e ia ficar difícil ir até nosso sítio, em plena pandemia (dependendo de carro de amigo), para colher alfaces na horta que ganhei de aniversário. Se fosse pela dona da casa - assim por conversas esparsas - acho que não teríamos porque a sacada é pequena e, segunda ela, atravanca. Para quem já teve quintal, atravanca mesmo. Mas, aí, o filho chega com os vasos... Não tem jeito. Aquelas coisas que mãe aceita porque, no fundo, nem liga ou gosta mesmo.
Pois então. Essa história, somada ao vídeo que vi hoje quando acordei me fizeram ir para sacada fotografar as plantas num dia que nubla, desnubla, o sol se esforça (segundo minha mãe), e um raio pulula bem de vez em quando para fazer brilhar a superfície lisinha dos tomates.

O vídeo em questão vou colocar mais abaixo. Lindíssimo o que os meus mais que amigos Glaucia Domingos e Marcio Juliano fizeram ao som do Satie.
A Glaucia narra a história Encantamentos. Olha o que ela fala num post sobre o Projeto Contemplado pelo Prêmio Funarte RespirArte:
“Honrada por ter sido selecionada!
Adaptei, narrei e ilustrei a história deste conto de Hans Christian Andersen para o edital da Funarte. É um conto clássico de Natal publicado pela primeira vez em 1844. Nesta versão é ilustrado com personagens e paisagens criados a partir de folhas, flores, galhos, sementes e pedras encontradas no meu quintal. Materiais que simbolizam o caráter cíclico da existência e que, propositalmente, reforçam a essência da história contada.
Folhas de diversas árvores como araucária, laranjeira, gabirobeira, goiabeira, plátano, jaqueira, jabuticabeira e, também, flores de bougainvillea, camélia, acácia, estrelícia, manjericão emprestam sua beleza e delicadeza à narrativa.
E é esta visão cheia de encantamento e beleza, presente nos detalhes da própria natureza, que este projeto oferece neste momento de restrições e, que permite aguçar o olhar em nosso entorno e buscar a conexão com o que é essencial. Também é uma maneira de semear essas histórias para que continuem vivas por muito e muito tempo.
O vídeo foi gravado em casa, com celular, em agosto de 2020.”
Eles saíram em defesa dos pinheirinhos, não foi? Como, por coincidência, aqui em casa esse ano não tem pinheirinho formal, padrão, tradicional achei que casava bem com o Encantamentos o nosso Pinheiro-Tomateiro.
E para completar o post me deu vontade de sair perguntando por aí quem conhecia uma versão de música do Erik Satie feita por algum artista brasileiro que sofre preconceito por ser minoria ou maioria pobre, negra.

Queria uma versão de alguém que represente quem é podado o ano todo e costuma ser esquecido no Natal, no Ano Novo para ser lembrado no quente da eleição. Gente que faz celebração, azulão, andorinhão, colchão, no chão sujo, juntando uma folha seca, uma coisa lenta aqui, outra ali. Gente que faz do perdido um achado, que nem considera perdido, que transforma limão em limonada. Com açúcar mascavo ou sem nada mesmo. Não. Pode ser limão com manjericão. Chá. Água saborizada geladinha. Vou esperar o manjericão crescer para experimentar.

Se alguém se lembrar de artistas que fizeram versão de músicas de Satie e e quiser me enviar eu coloco aqui...
Olha, achei um exemplo, mas quero gente do Brasil também.
Tem a música do nosso pianista Marcelo Torrone. Falei dela e dele nesse post da série QUE MÚSICA ESSA OBRA TE LEMBRA? Vai lá. Tá bem bacana.
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