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Que música essa gravura te lembra? Com Vina Lacerda

Atualizado: 17 de set. de 2020

O percussionista Vina Lacerda entrou na brincadeira de olhar uma obra e dizer que música vem na cabeça. A ideia surgiu a partir do envio de gravuras do professor de arte Fernando Bini com quem estou tendo o privilégio de ter aulas.

Se quiser ver o primeiro post dessa série, clique aqui, antes de saber sobre o Vina Lacerda.

Bacharel em Percussão pela EMBAP, Mestre e doutorando em música pela UFPR, Vina Lacerda é músico, educador e produtor cultural curitibano. Integrou as Orquestra a base de cordas e de sopro do Conservatório de MPB de Curitiba, instituição onde atua como professor de percussão. É professor colaborador na Universidade Estadual do Paraná. Desenvolve pesquisa sobre o ensino de música e percussão brasileira com métodos e aplicativos lançados. Participou de importantes festivais de música no Brasil, América Latina, Estados Unidos e Europa. Atuou em dezenas de CDs e trilhas para cinema e teatro. É integrante do grupo Mano a Mano Trio.



ARTISTA: Príncipe Franz Hohenlohe – Waldenburg Schilingsfürst

TÍTULO: Vento DATA: 1955

TÉCNICA: Linoleogravura DIMENSÕES: 21 x 21 cm.

DESCRIÇÃO DA OBRA:.Gravura (linogravura) em preto e branco representando um cavaleiro numa ventania.

DADOS DO ARTISTA: Budapeste, Hungria, 1879 – Curitiba, PR., 1958. Escultor e gravador (xilogravura e linóleogravura). Participou da Campanha austríaca na Rússia durante a Primeira Guerra Mundial. Vem ao Brasil em 1950 e reside em Curitiba.

Friedrich Franz Augustin Maria Prinz Von Hohenlohe-Waldenburg-Schillingsfürst (nasceu em 15 de fevereiro de 1879 em Budapeste, Hungria, faleceu em 24 de maio de 1958 em Curitiba, PR, Brasil. Foi um aristocrata alemão casado em primeiras núpcias com Stephanie Richter. Filho do Príncipe Charles de Hohenlohe-Clovis Waldenburg-Schillingsfürts e sua esposa, a Condessa de Franziska Esterhazy Galántha. Casou-se uma segunda vez, em Budapeste, em 6 de dezembro de 1920, com a Condessa Batthyány Emanuela de Német-Újivár (Ella Hohenlohe Batthyany).


Primeiro, olhei a gravura e prestei atenção só no cavalo empacado. Depois é que li as informações do professor Bini e vi o nome da obra. O bicho está se segurando numa ventania daquelas. Olhando rapidamente me pareceu até um túnel do tempo em que ele estivesse com medo de entrar. Quem não está? É compulsório, amiguinho, entramos desde o zigoto. Você não tem culpa, eu sei, nem eu. Vamos indo. Pocotó. Pocotó.


E vai aonde esse príncipe? Porque escolheu Curitiba para passear? Será que seria por essa fama dos colonos europeus que vieram para cá? Será que ele queria respirar um ar mais parecido com o de onde veio? Ê Curitiba que aproxima e afasta. Um ioiô monótono. Vai. Volta. E repete de novo. E não muda. E não sabe o que é se perder no rumo. Vendaval só no quintal.


Aqui da morada sem quintal, do ap apertado, fiquei curiosa para saber como a gravura do príncipe chegou às mãos do Bini. Olha o que ele me contou, rapidamente, no e-mail:

"A minha esposa é de família francesa e quando chegaram no Brasil encontravam-se com outros estrangeiros que aqui estavam, para se ajudarem mutuamente. Dois príncipes viveram em Curitiba, o príncipe Lichnowsky, cuja família financiou Haydn e Beethoven (a esposa do Lichnovsky também desenhava e pintava). E o príncipe Franz Hohenlohe que - que fez essa gravura do cavalo - chegou aqui no começo dos anos 50,. Tinha vindo da Áustria e participado do círculo Cultural de Viena. Aqui ele se uniu aos artistas modernos, do Movimento de Renovação, mas morreu logo em seguida. Não tenho os dados na cabeça. Apesar que eu até hoje mantenho amizade com a única herdeira dos Lichnovsky, que mora na Argentina, como com a herdeira do Holenhoe também. Nada tenho da Princesa Lichnovsky, (já vi obras dela na casa da sra. Graziela Petrowski), mas somos grandes amigos da herdeira do Holenhoe que, antes de levar a obra do artista para a Argentina, me presenteou também com um baixo relevo em madeira de uma figura feminina, um linóleo e também um álbum, bastante danificado, de uma coleção de gravuras que ele estava organizando antes de morrer. Todas precisam de restauro.Tenho ainda vontade de poder pesquisar sobre essas duas personalidades que viveram em Curitiba. O MACPR tem uma escultura muito boa dele, mas nada de gravura."

Voltando ao Vina e à gravura do cavalo. Ele lembrou sabe de qual música?

O Sanfoneiro é bom (aproveita e ouve todas as músicas do Álbum Vertical), tocada pelo Bebe Kramer, lá do Rio Grande do Sul. Perguntei o porquê e a resposta foi: "Me trouxe um cheiro dos pampas". Ah! Tá... Achei que fosse por causa do vento do fole na sanfona, sei lá... A gente sempre acha um gancho. E achei ótimo a cachola batuqueira do Vina não remeter à coroa europeia nenhuma. Foi pro Báh Tchê... Os acordeonistas de verdade bem merecem ser lembrados em outras situações, digamos, mais salutares, depois daquele episódio lamentável de uns meses atrás do sanfoneiro tocando sofrivelmente na entrevista daquela pessoa que diz que preside o Brasil.


O Vina acompanha o trabalho do Kramer... Conversaram uma duas vezes em Oficinas de Música em Curitiba, mas nunca tocaram juntos. Não seria má ideia... Faz uma live, ué...

Ah! Melhor explicar porque mandei essa obra do cavalo empacado para o Vina: estamos com umas aulas de percussão empacadas. Estavam marcadas para antes de pandemia, mas aí cancelamos até sei lá quando.

Para ver o Vina tocando:






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Karen Monteiro - jonalista produtora de conteúdo e tradutora do alemão e inglês
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