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Que música essa obra te lembra? Com Esha

Atualizado: 22 de dez. de 2020



"Desde que me lembro

sou feita em brincar e dançar

quando cresci, decidi

que ia viver um tanto feliz

e dei jeito de parecer

que era trabalhar

aquilo que bem fazia

nesse meu caminhar.

Além de brincar e dançar

Aprendi também a cantar

e quando sem esperar

Passei a representar.

Hoje levo comigo

o conselho de um amigo:

viver sem mais esperar

outra coisa em outro lugar

Tudo que tenho por perto

É sempre um campo aberto

Procuro viver o instante"

A vida como brincante!

Meu nome também ganhei

Num dia em que acordei:

Esha pra quem me chama

E também pra quem me ama."


ARTISTA: Orlando da Silva

TÍTULO: Três Peixes (Cerco) DATA:Sem data (1961)

TÉCNICA: Calcogravura – 14/100 DIMENSÕES: 14 x 19 cm.

DESCRIÇÃO DA OBRA: Três peixes em tonalidade clara cercando um barco em tons escuros, sobre um mar ondulado.

DADOS DO ARTISTA: Orlando DaSilva, Porto, Portugal, 1923 – Rio de Janeiro, 2012: “Orlando é desenhista, pintor, gravador e escultor; contista, cronista e poeta; pesquisador, crítico e, principalmente, professor. Nasceu na cidade do Porto, Portugal, em 1923. Criança viveu entre o rio e o mar, gostava da praia em Portugal e da mistura da água do mar com a água do rio (Rio d’Ouro, que há também no Rio de Janeiro como um bairro de Nova Iguaçu). Vem ao Brasil, Rio de Janeiro, com nove anos de idade acompanhando a mãe, seus companheiros de viagem eram os golfinhos que seguiam o navio.

O Rio de Janeiro é também todo mar.” [...] ... estuda no Liceu de Artes e Ofícios matriculando-se nas aulas de Carlos Oswald quando foi colega de Poty. Oswald, diz Orlando, pouco ensinava sobre técnica, ensinava sobre arte: ‘ele me falou sobre arte, sobre escolas, falou sobre a vivência dele, sobre Florença dos anos de 1910, sobre Giovanni Papini, que me auxiliou mais do que se ele me tivesse ensinado técnica’.

Lia muito e desenhava muito, com Fayga Ostrower, outra gravadora, iam desenhar as lavadeiras nos morros do Rio, em Laranjeiras, no Cosme Velho, etc. E continuava sua fascinação por água e mar. Ambos foram alunos de Henrique Oswald, filho de Carlos Oswald, também no Liceu e neste mesmo Liceu Orlando foi professor de gravura na vaga do próprio Carlos Oswald. (Fernando Bini, novembro de 2007)


A Esha olhou a gravura e lembrou de um Cacuriá.


A primeiira música, em relação aos peixes, é um ritmo maranhense. Lembrei desse Cacuriá. São duas músicas juntas. Peixe Piá é a segunda.
O Cacuriá geralmente é realizado pelas caixeiras do Divino
Aquele instrumento que tá na minha foto. Uma caixa do Divino.

ARTISTA: Violeta Franco.

TÍTULO: Floresta. DATA: sem data (c. 1980)

TÉCNICA: Gravura em metal, P/A. DIMENSÕES: 28 x 46 cm.

DADOS DA ARTISTA: Curitiba, PR., 1931 (1926) - 2006. Pintora e Gravadora. Estudou pintura com Guido Viaro e gravura com Poty Lazzarotto. Foi fundadora e dirigiu o Clube de Gravura do Paraná de 1953 a 1956. “Em 1950, participa de curso de Gravura em Metal, com Poty Lazzarotto, e apaixona–se pela técnica. O entusiasmo de Poty influencia a artista no desenvolvimento da disciplina. Indispensável à prática da gravura. Ela abre seu atelier na garagem da casa de seus avós, na Avenida Iguaçu, que não tardaria em ser conhecido no meio artístico como a Garaginha.

Em 1951, Violeta Franco é uma das fundadoras - com Fernando Velloso, Alcy Xavier, Nilo Previdi e Loio Pérsio - do Clube de Gravura do Paraná, tendo exercido o cargo de diretora. Essa entidade torna-se, posteriormente, o Centro de Gravura, liderado por Previdi, e, durante muitos anos, é o único curso em regime de atelier livre a difundir a prática da Gravura no Paraná.

Em 1956 a artista transfere residência para São Paulo/SP. Retorna a Curitiba em 1970. Atua como orientadora de cursos no Atelier de Gravura da FCC. Em 1976, dirige o Centro de Pesquisas e Informações do MGV e, em 1979, o Atelier de Gravura do CCC. Passa a atuar, em 1981 como coordenadora responsável pela documentação do Centro de Pesquisa da Casa da Gravura do Solar do Barão.


Esse segundo trabalho me lembrou folhas e o Orixá Ossain. Daí me lembrei de um afoxé do grupo Oyá Alaxé. Da tradição de cultura negra brasileira. Elas são do Recife da tradição de candomblé nagô.


A Esha tem sempre uma referência na ponta da língua. Perguntei como ela consegue.


Eu ouço muita musica tradicional. E participei do Maracatu Arrasta Ilha (Florianópolis) por 5 anos. O Maracatu é nagô também, mesma raiz. O Maracatu Nação é candomblé na rua. Algumas músicas de maracatus tem afoxés no meio.

Na minha ignorância, aproveitei para continuar perguntando, me valendo de umas leituras e aulas de performance afro... E jejê e bantu? Quais são os ritmos?


Jongo é Bantu.Os negros que vieram pro sudeste eram bantu. Pernambuco e Bahia jeje e nagô. A capoeira foi criada pelos negros bantus de Angola. O ijexá é um ritmo jeje.
Jeje e nagô praticamente se fundiram culturalmente aqui. A segunda música reflete esse povo. O ritmo do Ijexá forma o Afoxé (manifestação)
Os negros que foram pro Maranhão eram de Mina, da Costa do Marfim, Costa de Mina e também de Angola e Moçambique. Então acho que eles também têm Bantu. Talvez por isso o Tambor de Crioula me lembre o Jongo.
O candomblé deles é o que tem mais diferenças.
Chama Tambor de Mina.

Uma aula, né? Obrigada Esha.


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Karen Monteiro - jonalista produtora de conteúdo e tradutora do alemão e inglês
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