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Que música essa gravura te lembra? Com Oswaldo Rios.

Atualizado: 24 de set. de 2020


Oswaldo Rios é natural de Planaltina do Paraná onde teve seus primeiros contatos com a música caipira e as folias.

Participa, desde a criação, do Grupo Viola Quebrada que em 2017 foi indicado ao Prêmio da Música Brasileira como melhor grupo regional do Brasil e estreou em shows no ano de 1998, tendo já lançado 6 CDs e 1 DVD. No Viola Quebrada

já trabalhou em CDs e shows com Pena Branca E Xavantinho, Tinoco, Inezita Barroso, Alaíde Costa, Zeca Baleiro, Sergio Reis, Jackson Antunes e As Galvão.

Além disso, nestes quase 40 anos de carreira, Oswaldo Rios gravou um CD solo (retrovisor)

e desenvolveu com Sergio Deslandes e Rogerio Gulin o “3 de Paus” 

que apresentava músicas caipiras de humor. Também apresentando músicas caipiras de humor, criou com Nélio Sprea e Junior Bier o “Trio do Trem”.


Enviei para Oswaldo Rios as obras que o professor Fernando Bini me enviou (veja como essa história começou aqui). A minha surpresa é que, naquelas conversas cortadas, rápidas, de whats, ele me disse que já tinha tido aula de Filosofia com o Bini, quando cursava Desenho Industrial.

- Desisitu do desenho industrial por quê?, perguntei.
- A música já tava dividindo minha vida, mesmo durante o curso. Depois fui morar na Bahia, aí desandou de vez. Além do Bini, Calderari e Mengarelli também davam aulas pro desenho industrial
- Hahaha. Desandou? Ou andou... Mas as aulas de filosofia dele eram recheadas de arte?
- Tinha um pouco, mas na maior parte era filosofia mesmo. Até semiótica, McLuhan, Umberto Eco. Assim ia. Mais voltado pra criação e desenvolvimento de ideias, acho. Eu tinha 18 anos e só depois conheci esse lado do Bini, vendo palestras, exposições e curadorias dele. Fiquei fã dele até hoje.
- Eu também.
- Mas tem uma confusão aqui na minha cabeça, talvez tenha tido mais arte do que eu tô me lembrando. Trabalhos sobre Viaro e Garfunkel. Acho que eram coisas dele. E um outro sobre o cinema de Silvio Back.

Era isso mesmo, Bini?

Enquanto a resposta não vem, vamos para a gravura Carrocinha do Poty. O Oswaldo encontrou duas músicas, logo de cara. E me mandou as letras como que dizendo: olha que lindas. Tem que publicar as letras também. Aí o post aumenta e sou eu que fico com fama de fazer publicação longa... Veja você aí, qual gosta mais para a dupla Gravura e Música:


MEUS RETALHOS (Rogerio Gulin, Oswaldo Rios e Etel Frota)

ARTISTA: Napoleon Potyguara Lazzarotto

TÍTULO: Carrocinha – Cena Curitibana. DATA: 1997

TÉCNICA: Gravura, serigrafia – 4/100. DIMENSÕES: 21 x 21 cm.

DADOS DO ARTISTA:

Gravador, desenhista, ilustrador, muralista e professor.

Curitiba, PR., 1924 – Curitiba, PR., 1998



Quando eu vim do interior pus na mala a viola afinada no meu tom trouxe tudo o que era bom Trouxe o cheiro de uma flor um perfume que consola mas se a chuva molha o chão inda chora o coração À noite a cidade cala e eu lembro do que se foi, já passou remexo essa minha mala em busca do que restou Resta um gosto de hortelã Resta o riso de Nicinha andorinha que voou pé de vento que soprou Pra quarar meu amanhã tenho o sol de manhãzinha e num resto de canção volta toda a emoção À noite a cidade cala e eu lembro do que se foi, já passou remexo essa minha mala em busca do que restou E por tantos atalhos remendando este manto, eu vou costurando os retalhos que o tempo não desbotou A saudade inda dói entristece o meu coração mas a vida não pára e pra frente tem muito chão.


MEU PARANÁ

Lápis


Minha gente eu vou embora

Que vontade de chegar

Vermelho é terra do note

O azul meu céu te dá

E o verde é esperança

Esperança tem por lá

É no meu Paraná, é no meu Paraná (2x)

O meu pinheiro, que beleza

Majestade que aqui está

A Santa Felicidade

Que abençoe o Paraná

Ponta grossa, Antonina

Porto de Paranaguá

É no meu paraná, é no meu Paraná (2x)

Nossos verdes cafezais

De Londrina e Maringá

Guarapuava, Vila Velha

Curitiba, Abatiá

Cataratas do iguaçu

E tudo isso é Paraná

É no meu Paraná...


 

A outra gravura que eu enviei foi do Orlando DaSilva.

Veio na cabeça do Oswaldo, rapidinho, Gralha Azul. Procurou a gravação da dupla Belarmino e Gabriela, mas só achou em casa a do Leonel Rocha e Campos, com participação do Sérgio Reis. Não teve dúvida, entrou em contato com a Juliana, neta da dupla, para ver se conseguia. Não teve sucesso, aí mudou para uma música que tinha em casa e representava bem a gravura, igualmente. Pelo menos, nós achamos...

Aí vai Passarinho Prisioneiro do Belarmino com Luiz Vieira Filho. Não parecem, prisioneiros das asas pesadas dos respingos do petróleo jorrado indiscriminadamente. Tentam tirar o pesado manto da cegueira da insustentablidade ambiental para os peixinhos respirarem. Que trabalho difícil, tadinhos. E eles também levam água nos biquinhos, voando até o Pantanal para ajudar a apagar o fogo... Chegam mais rápído que carro do exército, avião da aeronáutica...



ARTISTA: Orlando da Silva

TÍTULO: Sem título DATA: 1985/87

TÉCNICA: Calcogravura – 21/50 DIMENSÕES: 17,5 x 20 cm.

DESCRIÇÃO DA OBRA: Gravura em branco e preto mostrando aves voando como levantando um lençol de água de onde surge a cabeça de vários peixes.

DADOS DO ARTISTA: OrlandoDaSilva, Porto, Portugal, 1923 – Rio de Janeiro, 2012: “Orlando é desenhista, pintor, gravador e escultor; contista, cronista e poeta; pesquisador, crítico e, principalmente, professor. Nasceu na cidade do Porto, Portugal, em 1923. Criança viveu entre o rio e o mar, gostava da praia em Portugal e da mistura da água do mar com a água do rio (Rio d’Ouro, que há também no Rio de Janeiro como um bairro de Nova Iguaçu). Vem ao Brasil, Rio de Janeiro, com nove anos de idade acompanhando a mãe, seus companheiros de viagem eram os golfinhos que seguiam o navio. O Rio de Janeiro é também todo mar.” [...] ... estuda no Liceu de Artes e Ofícios matriculando-se nas aulas de Carlos Oswald quando foi colega de Poty. Oswald, diz Orlando, pouco ensinava sobre técnica, ensinava sobre arte: ‘ele me falou sobre arte, sobre escolas, falou sobre a vivência dele, sobre Florença dos anos de 1910, sobre Giovanni Papini, que me auxiliou mais do que se ele me tivesse ensinado técnica’. Lia muito e desenhava muito, com FaygaOstrower, outra gravadora, iam desenhar as lavadeiras nos morros do Rio, em Laranjeiras, no Cosme Velho, etc. E continuava sua fascinação por água e mar. Ambos foram alunos de Henrique Oswald, filho de Carlos Oswald, também no Liceu e neste mesmo Liceu Orlando foi professor de gravura na vaga do próprio Carlos Oswald. (Fernando Bini, novembro de 2007).


Ouve o Oswaldo Rios com o Viola Quebrada, recebendo Celina da Piedade.


Resposta do professor Fernando Bini que chegou hoje, 24/09:

"Gostei muito de ver a imagem e ouvir o Oswaldo Rios, lembrar também do Viola Quebrada, no primeiro momento não o reconheci na foto, mas olhando com atenção o olhar dele é o olhar do mesmo menino.

Eu dava aulas de História da Arte, na qual envolvia a estética e a filosofia, aulas também de semiótica e Teoria da Informação e começava a escrever meus textos. Ele tem razão, o Viaro foi um dos primeiros. Só não escrevi sobre o Silvio Back, mas devo ter falado em aula. Participei de muitas mesas-redondas sobre cinema e aí sim, devo ter falado do Silvio.

Que bom lembrar de algumas coisa e saber que alguns ex-alunos não nos esqueceram.

Se falar com o Oswaldo diga que mando um abraço, e o meu final de semana será acompanhado pelo Viola Quebrada.

Um grande abraço e muito obrigado,

Fernando Bini"


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Karen Monteiro - jonalista produtora de conteúdo e tradutora do alemão e inglês
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